terça-feira, fevereiro 01, 2005


"Quem nasce para burro não chega a cavalo"?



Caro Ed Lopes,

Nunca percebi essa tua alegada popularidade junto do eleitorado feminino.

As mulheres (pelo menos as que conheço) gostam de homens bonitos e/ou inteligentes.

Quanto a beleza – desculpa-me que to diga – estamos conversados: aos olhos redondos e inexpressivos segue-se um nariz de boxeur maltratado e uns lábios grosseiros. Compõe-te essa fácies de pão de quilo um cabelo que – por natureza e opção – há mais de trinta anos já tinha passado de moda no casino da Figueira.

É certo que não tens culpa de ter cara de cavalo, mas isso não legitima tentares promover-te a garanhão.

Quanto ao teu quociente de inteligência… só posso admitir que seja elevado.

Quem, se não um verdadeiro génio, conseguiria sobreviver politicamente com "cada cavadela sua minhoca" on a daily basis?

Quem, se não um verdadeiro génio, teria a sagacidade de perceber a cabala das sondagens?

Quem, se não um verdadeiro génio, teria a inspirada ousadia de passar do argumento da incubadora para o do colo carente de um punhado de mulheres de Braga?

É certo, ó génio, que a tua apagada lâmpada precisa de bastante polimento.

É certo, também, ó génio, que ela está em tão mau estado de conservação que não consegues conceder o mais fácil – ou sequer básico – desejo, súplica de tantos: um mísero "vai-te embora", "desaparece", "põe-te a milhas", "desampara a loja" ou um piedoso "por amor de Deus, cala-te".

Mas persiste, ó génio! Eu sei que a tua auto-estima não permite que te sintas apoucado pelas críticas verrinosas que – só por pura inveja – te tecem cada vez que dizes uma atoarda. E fazes bem.

Nem ligues àquele mirone pacóvio de boné sebento que, em pleno momento de apoteótico colo feminino, rosnou entre dentes:

- Está bem Chicholino, tu não queres colo, o que tu queres é mama!

Sei que tens sido submetido a muitos tratos de polé mas continua a trincar alegremente o freio e se, por ironia do destino, os Torquemadas deste país conseguirem queimar-te, cortando cerce a tua (a)venturosa carreira política, não desanimes! Podes sempre tentar a alta escola.

Franciscanete